24.4.09

Elba Ramalho - Capim do vale (1980)



Quando Marisa Monte estava começando sua carreira, sua voz era comparada a de Gal Costa. Certos timbres, em determinados momentos, realmente aproximavam estas duas cantoras, o que só ajudou Marisa Monte a se firmar enquanto grande cantora da MPB. Um amigo, no entanto, costuma brincar dizendo que sempre confunde a voz de Marisa com a de Paula Toller, do Kid Abelha.

Comparações, mesmo sendo boas, acabam tirando um pouco da impressão de frescor e originalidade que muitos artistas (ou gravadoras) tentam passar. Dizer que tal artista “é o novo Djavan” dá a impressão de que eles são parecidos, mas que Djavan ainda é melhor. E fazer o que? Muita gente tem voz parecida mesmo. E são tantos cantores por aí que ser afinado não quer dizer muita coisa.

Elba Ramalho não tem esse problema. Não é uma questão de timbre de voz único, que só ela tem. Elba canta de um modo especial, como se tivesse sua própria afinação, uma lógica de canto que não é a tradicional. Sim, é emoção, mais do que técnica, mas não é só isso. O jeito de cantar de Elba, meio gritando, meio gemendo, mas com total controle de voz, é peculiar. Por isso é difícil compará-la com outras vozes. Como Bjork e Roy orbison, ela tem seu canto próprio.

“Capim do vale” (1980) é o segundo disco de Elba. Se no primeiro disco, “Ave de prata” (1979), havia espaço para Chico Buarque e Walter Franco, aqui o repertório é todo nordestino, resultando numa sonoridade mais homogênea. Com músicas de Alceu Valença, Luiz Gonzaga, Elomar, Geraldo Azevedo, Sivuca e Vital Farias, “Capim do vale” é um disco vigoroso, que mostra a força da intérprete. Um repertório ideal para Elba soltar sua voz e definir seu estilo único de cantar.





Um comentário:

Anônimo disse...

Alguém reclamou e o arquivo não pode mais ser compartilhado. Baixem em outro lugar.